23 de junho de 2009

Adeus Avô...

"Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus."


Fernando Pessoa




9 de maio de 2009

Never Ending Story ...

Era mais um dia comum, mais um dia imperfeito.
Calmamente, conduzia o carro indiferente a melodia que tocava no rádio. Não tinha em mente um destino definido, apenas sentia a necessidade de parar em algum sítio.
Estacionou o carro, rodou a chave e enquanto tirava o cinto do carro olhava em volta…frio no estômago, o coração disparou.
Fazia algum tempo que não a via, mas na sua mente para sempre ficou, aquele rosto e todos os traços que o compunham. Os seus olhares tocaram-se. Criou-se a dúvida na sua mente:
- Será que ela me reconheceu? Pensou
Ambos saíram do carro e o Destino fê-los novamente convergir para o mesmo sítio.
Ele aguardou na fila enquanto a olhava. A duvida persistia:
Será que me reconheceste?! Olha para mim de novo, mostra um sinal que me viste…
Sentia o pulsar louco do coração e a adrenalina a correr no corpo.
Esperava este reencontro a já algum tempo, mas agora não se sentia seguro de tal Teste. Pensava no que dizer e como o dizer, qual seria a reacção dela.

Ela virou-se olhando-o, respirou fundo e exclamou:
- Olá, tudo bem? Disse sorrindo como já a muito tempo não sorria.
- Sim, tudo e contigo, tudo bem também? Que fazes por aqui.
- Também estou bem, costumo passar por aqui para comer qualquer coisa antes de ir dar aula. E tu? Perguntou ele, já sabendo qual seria a resposta.
- Eu moro aqui perto.
- Sério, eu costumo passar por aqui várias vezes… Foi giro encontrar-te. Que tens feito, estás a trabalhar?
- Sim, estou num… Enquanto a ouvia falar, a sua mente fixava-se no seu rosto, marcado pelo tempo mas que ostentava a mesma beleza simples pela qual, em parte, se apaixonou fazia alguns anos. Sentia a garganta seca, sem conseguir produzir um som, até que, a custo conseguiu articular algo:
- Desculpa-me!
- Diz?!
- Desculpa-me… pelo que fiz e pelo que não fiz…
- Como assim?!
- Desculpa, pela mágoa e dor que te causei, por ter desistido... e pelo que não fiz. Por não ter tido a coragem suficiente de te dizer a Verdade, de não ter lutado, dado o melhor de mim por ti e pelo teu Amor… A sua mente ligou o botão que o fez voltar a realidade.
... Estive num infantário, mas houve uns problemas, fechou e tive a sorte de voltar parar o local onde estava antes. E tu?
- Vou trabalhando naquilo que vai aparecendo. Sempre a procura de algo que me de estabilidade.
- Tem de ser. Tenho de ir, gostei de te ver. Disse ela, sorrindo.
- Eu também gostei! Replicou rapidamente como se fosse das coisas mais importantes que tinha para dizer.
Beijou-a no rosto, sentindo novamente o toque da sua pele. O seu corpo sentia-se fraco novamente enquanto a olhava, vendo-a afastar-se. Olhou em frente, deu alguns passos e sentiu uma certa frustração. Uma ligeira irritação cresceu em si por ter desperdiçado aquela oportunidade.
Olhou, ela tinha-se sentado no carro.
- Ainda havia tempo! Pensou.
Correu…
- Olha, ainda tenho algum tempo antes de me ir embora, queres fazer-me companhia num café? Perguntou tentando esconder o nervosismo.
- Desculpa mas não vai dar, é que tenho uns assuntos para tratar.
- Ok… fica para um outro dia. Disse sentindo-se desiludido.
Boas Ferias…Festas quer dizer.
Naquela pequena frase, tinha transparecido, todo o seu estado de alma.
Ficou a vê-la afastando-se no carro, continuando a sentir um misto de sentimentos.
Resignado, encolheu os ombros, meteu as mãos nos bolsos e retomou o seu caminho.
Era mais um dia comum, mais um dia imperfeito…

http://www.clevver.com/music/video/197469/gavin-rossdale-love-remains-the-same.html




17 de março de 2009

Vozes

Vozes ideais e amadas
Daqueles que morreram, e daqueles que são
Para nós perdidos como mortos.

Às vezes nos nossos sonhos falam;
Às vezes no pensamento as ouve a mente.

E como com o seu som por um momento regressam
Sons da primeira poesia da nossa vida-
Qual música, à noite, longínqua, que se apaga.

Konstantinos Kavafis

Ps. Para ti Lena*

3 de março de 2009

Divagações

É engraçado…
Pensarmos que, de certa forma, fomos importantes para alguém. Que fomos ombro amigo, Força, Palavra… Confidentes, gestos e conforto.
Que, na nossa mente ficou a ideia que vincamos uma pessoa pela nossa forma de ser, de agir.

Mas, na realidade acabamos por nos tornar pequenos grãos de areia, indiferenciados, confinados ao Espaço e Tempo, enfiados numa ampulheta, tão iguais e sós, esquecidos.
Enfim, nada tivemos, nada fomos….Vivemos, alguns, em ilusões vãs, esperando um reconhecimento que breve, ou nunca, tarda em acontecer…



27 de novembro de 2008

10...

Faz precisamente hoje uma década, o dia em que tomei real consciência que a tua falta me sufocava… que delineei um plano para te ter de volta, que pensei e repensei se te diria a Verdade, (talvez hoje, imagino, teria sido o mais difícil num, talvez, caminho fácil). Esse plano frustrou-se, usei o papel de cobarde… baixei os braços, deixei de lutar e afastei-me para que pudesses ser feliz.

Dez longos anos, de dias cinzentos e agonizantes, alguns, poucos, coloridos…em que cada dia amaldiçoo-o, o antes e o depois…as decisões e acções tomadas, em que lamento profundamente ter-te perdido e em que, em mim, me fechei.

Faz hoje uma década… e mesmo assim, não há….houve, dia algum em que, mesmo por breves segundos, não tenhas estado presente no meu pensamento. Ficas-te em mim… incrustada, colada…uma segunda camada de pele.
Ainda guardo em mim a memória do teu toque, a precisão do teu rosto e de todos os traços que o compõem.

Uma década depois e nunca deixei de me questionar. Será que ainda hoje te deixo saudade, que sorris ao sentir os breves momentos vividos, os sorrisos e segredos trocados, ou terei deixado em ti um sabor amargo… um pesadelo que apagas-te…
Deixas-te muito de ti em mim…Mas, quanto de mim em ti ficou?!

Faz hoje uma década e, dez anos depois, ainda continuo a imaginar como será a próxima vez que nos iremos cruzar. Se irei, para sempre, ficar amarrado ao medo, perturbado, ou se, apesar da espontaneidade com que o Destino nos tem marcado, terei desta vez a coragem e a força na voz para te “enfrentar” e à Verdade, tão tardiamente revelada.

Faz este ano uma década, em que todas as fantasias e sonhos se esfumaram. Em que continuo a cair lenta e vagarosamente, consumido em amargura… em melancolia.

Faz hoje uma década, em que continuo a tentar encontrar na Razão, um motivo válido pelo qual continuo preso a ti.
Uma década em que tento fugir ao sonho, em que tento ser realidade.

Faz hoje precisamente uma Década….O dia em que deixei de viver…

19 de novembro de 2008

"Desafio"

Hoje quero abrir um espaço de discussão, de debate….
Ouvi esta frase, que vos deixo, e que se tem tornado no meu espaço de reflexão nestes últimos dias. Como tal, gostaria de ouvir a vossa opinião, de saber o que pensam….de forma a tentar também dinamizar um pouco este meu “mundo”, que tem tenho relegado um pouco para segundo plano….

Encontrar o Amor, é encontrar o nosso lugar no Mundo…

Confesso que não me recordo onde ouvi ou vi esta frase….e que já tentei pesquisar na net e nada.
Contudo, fica aqui feito este meu “desafio”…. Espero que gostem.
Cumprimentos a todos,

Derfel

16 de setembro de 2008

Alma Mater

"...vejo que aqueles que tocaram a minha alma não conseguiram despertar meu corpo, e aqueles que tocaram o meu corpo não conseguiram atingir a minha alma."

(Paulo Coelho - 11 minutos)