2 de outubro de 2009

Enjoy the Silence

Uma sala escura, uma música que ecoa baixinho pela sala.
O palco está montado… Introspecção controlada, de tempo, espaço…de género, local.
É uma viagem pela alma… de resgate, de luta ou então, será de abandono…
Talvez seja mais uma intermitência…

Um copo meio vazio que se move na mão, fazendo deslizar o gelo.

Uma vida de questões que se movem pela mente. Os, “e se” que se acumulam e que tardiamente, ou nunca, teimam em não se tornarem certezas.

Um pouco disto, daquilo, mas que se vão acumulando em nadas.
Pensa-se, ” e se pudesse voltar atrás…”, contudo, é só mais um “se” que se deposita na mente, agregado aos restantes.

Tenta-se encontrar o coração, mas dele nem sinal.
Adormeceu à muito, esperando um dia poder despertar…

Bebe-se mais um gole…a garganta inflama.

Olha-se a janela procurando respostas…silêncio.
Mais um gole…

Deixa-se adormecer a mente, dormente e estagnada…

Coloca-se de parte todas as questões, desiste-se de pensar. Talvez, por cansaço... ou talvez assim, renunciando à busca, as respostas apareçam.

Epifania!
Aprecia-se a satisfação das batalhas travadas e o doce gosto dos poucos triunfos conseguidos…
Aprecia-se o conforto do sofá e o momento…
Aprecia-se a esperança e o sorriso que renasce…
Aprecia-se a Vida…

Shiuu…. Enjoy the silence!



http://www.youtube.com/watch?v=huDIF--HmPU

11 de setembro de 2009

28 de julho de 2009

Fado?!

"Que estranho destino é o meu que apenas me consente paixões ardentes e me faz esgotar em amores improváveis..."

José Manuel Saraiva - Aos olhos de Deus

23 de junho de 2009

Adeus Avô...

"Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus."


Fernando Pessoa




9 de maio de 2009

Never Ending Story ...

Era mais um dia comum, mais um dia imperfeito.
Calmamente, conduzia o carro indiferente a melodia que tocava no rádio. Não tinha em mente um destino definido, apenas sentia a necessidade de parar em algum sítio.
Estacionou o carro, rodou a chave e enquanto tirava o cinto do carro olhava em volta…frio no estômago, o coração disparou.
Fazia algum tempo que não a via, mas na sua mente para sempre ficou, aquele rosto e todos os traços que o compunham. Os seus olhares tocaram-se. Criou-se a dúvida na sua mente:
- Será que ela me reconheceu? Pensou
Ambos saíram do carro e o Destino fê-los novamente convergir para o mesmo sítio.
Ele aguardou na fila enquanto a olhava. A duvida persistia:
Será que me reconheceste?! Olha para mim de novo, mostra um sinal que me viste…
Sentia o pulsar louco do coração e a adrenalina a correr no corpo.
Esperava este reencontro a já algum tempo, mas agora não se sentia seguro de tal Teste. Pensava no que dizer e como o dizer, qual seria a reacção dela.

Ela virou-se olhando-o, respirou fundo e exclamou:
- Olá, tudo bem? Disse sorrindo como já a muito tempo não sorria.
- Sim, tudo e contigo, tudo bem também? Que fazes por aqui.
- Também estou bem, costumo passar por aqui para comer qualquer coisa antes de ir dar aula. E tu? Perguntou ele, já sabendo qual seria a resposta.
- Eu moro aqui perto.
- Sério, eu costumo passar por aqui várias vezes… Foi giro encontrar-te. Que tens feito, estás a trabalhar?
- Sim, estou num… Enquanto a ouvia falar, a sua mente fixava-se no seu rosto, marcado pelo tempo mas que ostentava a mesma beleza simples pela qual, em parte, se apaixonou fazia alguns anos. Sentia a garganta seca, sem conseguir produzir um som, até que, a custo conseguiu articular algo:
- Desculpa-me!
- Diz?!
- Desculpa-me… pelo que fiz e pelo que não fiz…
- Como assim?!
- Desculpa, pela mágoa e dor que te causei, por ter desistido... e pelo que não fiz. Por não ter tido a coragem suficiente de te dizer a Verdade, de não ter lutado, dado o melhor de mim por ti e pelo teu Amor… A sua mente ligou o botão que o fez voltar a realidade.
... Estive num infantário, mas houve uns problemas, fechou e tive a sorte de voltar parar o local onde estava antes. E tu?
- Vou trabalhando naquilo que vai aparecendo. Sempre a procura de algo que me de estabilidade.
- Tem de ser. Tenho de ir, gostei de te ver. Disse ela, sorrindo.
- Eu também gostei! Replicou rapidamente como se fosse das coisas mais importantes que tinha para dizer.
Beijou-a no rosto, sentindo novamente o toque da sua pele. O seu corpo sentia-se fraco novamente enquanto a olhava, vendo-a afastar-se. Olhou em frente, deu alguns passos e sentiu uma certa frustração. Uma ligeira irritação cresceu em si por ter desperdiçado aquela oportunidade.
Olhou, ela tinha-se sentado no carro.
- Ainda havia tempo! Pensou.
Correu…
- Olha, ainda tenho algum tempo antes de me ir embora, queres fazer-me companhia num café? Perguntou tentando esconder o nervosismo.
- Desculpa mas não vai dar, é que tenho uns assuntos para tratar.
- Ok… fica para um outro dia. Disse sentindo-se desiludido.
Boas Ferias…Festas quer dizer.
Naquela pequena frase, tinha transparecido, todo o seu estado de alma.
Ficou a vê-la afastando-se no carro, continuando a sentir um misto de sentimentos.
Resignado, encolheu os ombros, meteu as mãos nos bolsos e retomou o seu caminho.
Era mais um dia comum, mais um dia imperfeito…

http://www.clevver.com/music/video/197469/gavin-rossdale-love-remains-the-same.html




17 de março de 2009

Vozes

Vozes ideais e amadas
Daqueles que morreram, e daqueles que são
Para nós perdidos como mortos.

Às vezes nos nossos sonhos falam;
Às vezes no pensamento as ouve a mente.

E como com o seu som por um momento regressam
Sons da primeira poesia da nossa vida-
Qual música, à noite, longínqua, que se apaga.

Konstantinos Kavafis

Ps. Para ti Lena*

3 de março de 2009

Divagações

É engraçado…
Pensarmos que, de certa forma, fomos importantes para alguém. Que fomos ombro amigo, Força, Palavra… Confidentes, gestos e conforto.
Que, na nossa mente ficou a ideia que vincamos uma pessoa pela nossa forma de ser, de agir.

Mas, na realidade acabamos por nos tornar pequenos grãos de areia, indiferenciados, confinados ao Espaço e Tempo, enfiados numa ampulheta, tão iguais e sós, esquecidos.
Enfim, nada tivemos, nada fomos….Vivemos, alguns, em ilusões vãs, esperando um reconhecimento que breve, ou nunca, tarda em acontecer…